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O Chamado 30 de junho de 2026 · 4 min de leitura

Como é… sair do Brasil?

Morar fora? “Explorar novos horizontes?”

Essa pergunta eu nunca quis saber, nem tentar descobrir, para falar a verdade — se fosse por minha decisão, eu gostaria de ter ficado na cidade onde nasci (Jales, interior de São Paulo). Afinal, minhas melhores memórias são dessa cidade: de jogar bola nas ruas (sempre com meu kit da Nike, claro — meus amigos zoavam de mim, falando que eu era patrocinado pela Nike), de jogar videogame no meu PlayStation, e eventualmente no PlayStation 2, no PlayStation 3… Mas pera aí: será que eu teria tido tudo isso se nunca tivesse saído de Jales? Afinal, eu tive esses “confortos” materiais porque acabei saindo do Brasil ainda criança, porque meu pai tinha um bom emprego morando nos Estados Unidos, porque eu tinha essa vida fora do Brasil.

Essa conversa toda, essa situação toda sempre me deixava, literalmente, acordado no meio da noite, antes de dormir — será que eu teria a mesma vida que tenho agora se tivesse morado no Brasil desde criança, sem nunca ter saído de Jales, nem do estado de São Paulo, muito menos do meu querido país, o Brasil?

Eu acho que esse tipo de pergunta é uma coisa que, às vezes, soa como uma frescura — algo que muitos talvez usassem para me criticar. Tipo: “você é playboy, você não sabe o que é trabalhar de verdade, ter que se virar; é claro que a sua vida seria diferente se você não tivesse saído do Brasil, dependendo tanto dos seus pais.” Esse tipo de argumento é mais ou menos a mesma coisa que membros da minha família já fizeram de mim — e arde um pouco, pra falar a verdade, se eu for pensar bem. Mas enfim, isso tudo leva ao verdadeiro motivo, à verdadeira meta pela qual estou contando essa história “lambuzada” toda.

Talvez, se eu tivesse ficado no Brasil, cara… talvez as coisas dessem certo também. Esse é o ponto final, o ponto vital ao qual eu sempre quis chegar. Como diria um amigo meu de Jales, o Gabriel, que sempre gostava de usar a palavra “Caraaaa… caaaaaraaa…”, ficar no Brasil e ter tentado construir a minha vida por lá talvez desse certo também.

Eu acredito que agora, com 33 anos, estou começando a enxergar melhor quem eu sou.

Uma coisa é certa — e talvez ainda não esteja muito clara: talvez o fato de a minha vida ter passado por uma mudança tão grande, tão decisiva, logo nos primeiros anos, nos anos que me formaram (atravessar o mundo para um outro país, do hemisfério sul para o hemisfério norte) — talvez isso tenha sido o plano de Deus o tempo todo. Se eu tivesse crescido no Brasil, talvez a minha vida tivesse sido muito mais difícil, no sentido de que a minha perspectiva, o meu olhar, não seriam tão aguçados, tão amadurecidos, tão desenvolvidos quanto são hoje.

Enquanto escrevo este meu primeiro e tímido post, percebo o quanto de potencial eu realmente tenho — para onde quer que a vida e Deus me levem. Tinha um ditado antigo que falavam sobre o Brasil: que o gigante estava adormecido, e que o gigante finalmente acordou, alguma coisa assim. Eu sinto que finalmente acordei também… finalmente! 🇧🇷 🇺🇸